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Delegacia de Proteção aos Direitos da Pessoa com Deficiência abre anexo dentro da APAE Anápolis



A Associação dos Pais e Amigos dos Excepcionais (Apae) de Anápolis e a Delegacia de Proteção à Pessoa com Deficiência inauguraram um espaço onde passa a funcionar uma extensão da Delegacia de Proteção aos Direitos da Pessoa com Deficiência, órgão da Polícia Civil. O evento aconteceu no auditório da Escola Maria Montessori e contou com a presença de professores, profissionais da área da saúde, alunos, pacientes, pais e diversas outras autoridades. Em discurso, o titular da delegacia, Manoel Vanderic Filho, afirmou que o objetivo desta iniciativa é aproximar as pessoas com deficiência e suas famílias do atendimento prestado pela Polícia Civil, informando e conscientizando sobre crimes praticados contra essa parcela da população.


O delegado explicou que a ideia e a vontade de instalar na Apae Anápolis uma sala da Delegacia de Proteção à Pessoa com Deficiência surgiu há alguns anos, mas só durante a gestão do atual presidente Vander Lúcio Barbosa, encontrou as condições ideais para a implantação. “A Apae centraliza, com seus serviços de Educação Especial, Saúde e Assistência Social, o atendimento à maior parte da população com deficiência no município. Daí, se apresenta como o local ideal para atuação da nossa unidade”, relatou.


Segundo Vanderic, a sociedade não tem o devido conhecimento, mas é muito comum que os portadores de deficiência sofram maus tratos, abusos sexuais, abandono e outros tipos de negligência, tortura, cárcere privado, falta de tratamento ou higiene básica, sem falar em extorsão de aposentadorias ou benefícios financeiros concedidos pelo governo. “Isso acontece, infelizmente, por parte da família e cuidadores, que precisam ser denunciados para que todos se conscientizem da necessidade de transformarmos nossa sociedade em direção a um muito mais tolerante e inclusivo”, declarou.


Segundo a superintendente da Apae Anápolis e uma das idealizadora do projeto, Nancy Oliveira, a necessidade de aproximar a Delegacia das pessoas com deficiência se deu a partir da percepção de que a tarefa de proteção aos seus direitos encontrava dois entraves principais – a dificuldade física e mental de acesso ao órgão de proteção e defesa e o desconhecimento quanto à existência de uma legislação específica, que criminaliza diversas ações praticadas contra eles.


Isso veio ao encontro de outro dado que chamou a atenção, quando recebemos uma visita de cortesia do delegado Manoel Vanderic, acompanhado de seus agentes policiais. Numa conversa informal ficamos sabendo que o número de denúncias não correspondia à realidade da quantidade de crimes que sabiam que aconteciam na cidade. “Muitas vezes nos chega a notícia, mas a denúncia não é formalizada pela pessoa que informa. Às vezes por medo ou desconhecimento do bem que estará praticando ao denunciar”, explica Nancy.


Comemoração


O presidente da Apae Anápolis, Vander Lúcio Barbosa, comemorou a inauguração junto com alunos, pacientes, professores e familiares das pessoas atendidas pela instituição. Segundo Vander, o espaço, além de receber denúncias e formalizar ocorrências, vai realizar a oitiva dos inquéritos instaurados. Os policiais vão realizar um trabalho de orientação jurídica, de conscientização quanto aos direitos da pessoa com deficiência e, ainda, oferecer palestras sobre o assunto. “Temos na Apae Anápolis um trabalho contínuo de Assistência Social, cujo objetivo é estabelecer um vínculo de confiança com as pessoas com deficiências e suas famílias, agindo de forma proativa para cumprir nossa missão de ajudá-las a superar as barreiras que as separam da igualdade e da inclusão”, declarou ele.


Ação inédita


Como uma iniciativa inédita entre as mais de duas mil Apaes do Brasil, Vander Lúcio quer oferecer os serviços da delegacia da Apae à toda a comunidade. “É um ambiente muito mais discreto e acolhedor, que tem muito a somar, incentivando os portadores de deficiência a exigirem o cumprimento dos seus direitos”, afirmou o presidente. A afirmação foi corroborada pelo Juiz da Infância e Juventude de Anápolis, Carlos Limonge Sterse. Acostumado a lidar com esse tipo de denúncias, ele elogiou a instalação e disse vislumbrar uma mudança significativa, a médio e longo prazo, graças à maior facilidade de acesso por parte dos que mais precisam. “Fiquei muito satisfeito em ver que podemos contar com pessoas como o Vander Lúcio e o Manoel Vanderic, sempre preocupados, não só em manter aquilo que já fazem com excelência, mas em inovar e avançar na luta pela mudança de mentalidade das pessoas. É preciso encarar os portadores de deficiência como iguais, diminuindo as injustiças que sabemos que são praticadas contra eles”, declarou.


Pais e mães festejam


Mãe de dois alunos que estudam na escola Maria Montessori, mantida pela APAE Anápolis, dona Maria da Silva, de 47 anos, também participou da solenidade e agradeceu pela iniciativa. Segundo ela é um alívio saber que existe esperança para aqueles que sempre foram deixados em segundo plano pela sociedade. “Luto pelos direitos dos meus filhos desde que nasceram. Não é fácil. Eles sofrem bullyng, já foram agredidos física e psicologicamente. Para uma mãe é muito duro passar por isso, sabendo que se tratam de pessoas inocentes, sem maldade alguma, sinceras e amorosas e que não merecem nada além de amor, carinho, compreensão e cuidado. Mas, por outro lado, choro de alegria quando me deparo com esse tipo de atitude, de pessoas do bem, enviadas por Deus, como é o caso do Vander Lúcio e do Vanderic”, disse ela com lágrimas nos olhos.

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